O comandante do Comando de Policiamento Regional Leste (CPR-L), coronel Michel Müller, destacou a importância do trabalho ostensivo da Polícia Militar em Feira de Santana e chamou a atenção para a necessidade de maior conscientização da população quanto ao cumprimento das leis. Em entrevista, o oficial abordou, entre outros pontos, o problema da reincidência criminal e os impactos da legislação penal na segurança pública.
Segundo o coronel, a prática de novos crimes por indivíduos que já foram condenados revela fragilidades no sistema penal brasileiro. Para ele, a excessiva permissividade da legislação contribui para a repetição de delitos e dificulta o trabalho das forças de segurança.
O comandante citou, como exemplo, as chamadas “saidinhas”, benefício concedido a presos em determinados períodos, ressaltando que parte dos beneficiados não retorna para cumprir suas penas. De acordo com Müller, esse cenário compromete princípios fundamentais do sistema penal, como a retribuição da pena e a ressocialização.
“Há uma permissividade muito grande na legislação penal e processual penal. Esses mecanismos não têm surtido o efeito esperado e acabam refletindo diretamente no trabalho das polícias nas ruas, que estão diariamente entregando segurança à casa do cidadão”, afirmou.
O coronel também destacou que a Polícia Militar é o serviço público mais próximo da população. Em Feira de Santana, a corporação conta atualmente com cerca de 1.800 policiais e 60 viaturas em operação. Em situações específicas, esse número pode ser ampliado, chegando a aproximadamente 80 viaturas circulando simultaneamente na cidade.
Apesar disso, o comandante enfatizou que a segurança pública não depende apenas do aumento do policiamento, mas também do envolvimento da sociedade como um todo. Para ele, o respeito às leis deve ser um compromisso coletivo.
“Precisamos cumprir as regras. Não é apenas fulano ou beltrano. Todos devem seguir as leis, como se espera no pleno exercício da cidadania”, ressaltou.
O coronel também comentou os episódios de violência registrados no segundo final de semana de 2026, quando seis pessoas foram assassinadas em Feira de Santana. Embora as investigações sejam de responsabilidade da Polícia Civil, Müller destacou a importância da atuação integrada entre as forças de segurança e outras instituições.
Segundo ele, a realização de festas irregulares, especialmente eventos com paredões de som, tem contribuído para o aumento de ocorrências. O comandante lembrou que esse tipo de evento é proibido no município por lei municipal.
“Não existe mais espaço para festas sem autorização, nem para eventos com paredão, que é proibido em Feira de Santana. Essa não é uma regra criada pela Polícia Militar, mas uma lei vigente”, afirmou.
Por fim, o comandante reforçou que o enfrentamento da violência exige um debate amplo e responsável sobre a cidade, envolvendo poder público, instituições e cidadãos.
“O problema não se resume à quantidade de viaturas nas ruas. Precisamos discutir Feira de Santana de forma coletiva, buscando soluções que promovam as transformações que a cidade precisa”, concluiu.
